Yazz Ahmed – quando o ocidente encontra o médio oriente

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A trompete serviu de partida para Yazz Ahmed, mas hoje também toca fliscorne. O seu som é o encontro de diversas culturas musicais – são diferentes partes do Mundo que se cruzam na sua música e na sua improvisação.

Intrusiva, inquietante e misteriosa, escutar Yazz Ahmed com atenção poderá tornar-se uma viagem longa e mágica, digna de um certo transe musical.

Viveu a infância no Bahrein e mudou-se para Londres aos 9 anos. Com origem materna em Inglaterra e paterna no Bahrein, Yazz Ahmed manifesta esta troca de culturas na sua música. Inicialmente teve formação clássica, mas acabou por se ligar ao mundo do jazz por influência do seu avô materno, o trompetista Terry Brown.

Com poucos álbuns gravados, Ahmed demonstra forte criatividade, sem preconceitos nem fronteiras, que a acompanha como compositora, instrumentista e improvisadora.

Em 2011 lançou o seu primeiro álbum, “Finding My Way Home” .  Dos seus trabalhos, este é o que mais se aproxima de um certo jazz mais ocidental, talvez ainda um pouco ingénuo. Contudo, já ousa alguma exploração sonora, onde se denota a presença de alguns elementos árabes, como escalas e ritmos. Em 2017 lança “La Saboteuse” e, em 2019, “Polyhymnia”. Efectuou também outras gravações e reeditou álbuns. Escutar qualquer um dos seus trabalhos, é uma viagem.

Ao longo do seu desenvolvimento, verifica-se a importância dada à presença de uma vasta instrumentação, numa tentativa de misturar e explorar as várias ferramentas ao seu dispor, como pontes de diálogo. Em “Polyhymnia” já podemos escutar a presença de uma orquestra, com diferentes sopros, cordas, teclas, percussões, vozes e eletrónica. Nos seus trabalhos todos os instrumentistas estão muito presentes e com solos muito consistentes. Ahmed também se vai afirmando com o fliscorne, instrumento que lhe permite desenvolver os quartos de tom, tão característicos da música árabe. Dessa mistura de sons nasce a riqueza da sua música – o cruzamento de fronteiras geográficas, culturais, sem dogmas nem preconceitos.  

Ahmed já afirmou em entrevistas que o álbum de Rabih Abouh-Kalil, “Blue Camel”, a inspirou muito para a sua música. Também ela, principalmente nos seus dois últimos álbuns, explora a influência do jazz aprendido e tocado em Londres com os ritmos e harmonias árabes.  Se, por um lado, em “La Saboteuse”, encontramos uma experimentação mais eletrónica, com destaque para grandes solos no clarinete baixo, onde começa a ser definido um caminho muito próprio, diferente do primeiro álbum (inclusive, faz lembrar também alguns westerns com elementos de rock). Por outro lado, em” Polyhymnia”., encontramos um grande trabalho de composição para orquestra. Aqui, a instrumentista, compositora e improvisadora pretende afirmar na música um carácter mais político. Ahmed inpirou-se na musa da mitologia grega, Polyhymnia, para falar de histórias de mulheres incríveis como Malala Yousafzai ou Rosa Parks, numa espécie de celebração e incentivo ao poder e criatividade das mulheres. Poderá afirmar-se que Polyhymnia é um álbum feminista.

Yazz Ahmed tem tido destaque no mundo do música como uma das melhores instrumentistas e compositoras de jazz da actualidade. No ano de 2020 venceu os prémios “2020 Jazz FM Award for UK Jazz Act of the Year” e “The Ivors Composer Awards 2020”.

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